Porto Alegre, 23 de Janeiro de 2018

Presidência da CNBB apresenta temas discutidos pelo Conselho Permanente

Em entrevista coletiva à imprensa, bispos divulgaram nota sobre realidade sociopolítica do Brasil

Encerrada a reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta quinta-feira, 28, a Presidência da entidade concedeu entrevista coletiva à imprensa. Atenderam a imprensa o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha; o arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente, dom Murilo Krieger; o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner. Na ocasião foram apresentados os temas abordados durante o encontro e divulgada a nota sobre “A realidade sociopolítica brasileira – dificuldades e oportunidades”.
Assembleia Geral

O arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, falou sobre a preparação para a 54ª Assembleia Geral (AG) da Conferência, que será realizada, em Aparecida (SP), de 6 a 15 de abril de 2016. O Conselho Permanente definiu que a temática central a ser debatida na AG será sobre os Cristãos Leigos e Leigas. “Nós não temos ainda a formulação definitiva do tema central, mas a temática é ‘Os cristãos leigos e leigas’”, explicou dom Sergio.

Laudato Si’ e CFE 2016

O Conselho Permanente da CNBB também refletiu durante a reunião a respeito da encíclica do papa Francisco, Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum. Os bispos falaram das iniciativas voltadas à preservação do planeta e cuidado com a vida que estão sendo desenvolvidas nas dioceses de todo o Brasil. Dom Sergio considerou que o tema já havia entrado na pauta de outra reunião do Conselho, realizada em junho, por ocasião do lançamento do texto. “Desta vez mais para saber o que já está se fazendo, quais são as iniciativas que estão em andamento nas comunidades e eventualmente as sugestões, já que o alcance desta encíclica é muito grande e não se resume, não se reduz, àquilo que já conseguimos até agora”, disse.

Neste contexto da proposta da encíclica, houve aprofundamento sobre a Campanha da Fraternidade de 2016, que será ecumênica, realizada em parceria com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. O tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5, 24) nortearão as reflexões a respeito do saneamento básico, foco da campanha. Dom Sergio destacou o apoio da obra episcopal da Igreja Católica da Alemanha para a cooperação ao desenvolvimento, a Misereor.
Ano da Misericórdia

Na pauta do Conselho Permanente, o Ano da Misericórdia suscitou reflexões e indicações de atividades. “São muitas as iniciativas que estão sendo propostas. Algumas em andamento e que depois serão revalorizadas durante o Ano da Misericórdia”, salienta dom Sergio. O Ano da Misericórdia iniciará em 8 de dezembro e prosseguirá até 20 de novembro de 2016. Será marcado também pela abertura das Portas Santas nas dioceses de todo o mundo, na data de 13 de dezembro. O tema é “Sede misericordiosos como o Pai”.
Análise de Conjuntura

A análise de conjuntura deste Conselho Permanente, no dia 27, foi conduzida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Dom Sergio lembra que a presença foi uma resposta ao convite da CNBB. “Ele veio nos ajudar a entender melhor o momento que nós estamos vivendo, mas sobretudo, ressaltando este trabalho grande que tem sido feito pelo Ministério Público Federal no combate à corrupção”, conta.

Segundo o arcebispo de Brasília, Janot tratou do combate à corrupção, das medidas e de iniciativas em andamento. "Sempre muito solícito para os esclarecimentos que os senhores bispos quiseram fazer. Nós agradecemos publicamente a presença e a colaboração que ele prestou a nós, foi valiosa, nos ajudando no nosso Conselho permanente”, declara.
Sínodo

A 14ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos ocorreu de 4 a 25 de outubro. Na reunião do Conselho Permanente, dom Sergio e o bispo de Camaçari (BA), dom João Carlos Petrini, que participaram da Assembleia com padres sinodais de todo o mundo, apresentaram um relatório com suas impressões a respeito dos debates que ocuparam o Vaticano nos últimos dias.

Dom Sergio indicou a leitura do documento publicado ao final do Sínodo com as propostas oferecidas ao papa. Ele esclareceu, ainda, que em alguns temas os padres sinodais apontaram para as realidades das famílias o discernimento, a integração, a acolhida e a orientação como as ações para serem tomadas e promovidas pela Igreja, mas também pediram ao papa uma palavra decisória a respeito das diversas realidades que envolvem aquelas em situações mais delicadas.
Nota

Ao final da entrevista foi divulgada a nota sobre a realidade sociopolítica brasileira – dificuldades e oportunidades. O texto manifesta, mais uma vez, o comprometimento da Conferência “com a vivência democrática e com os valores humanos, consciente de que é dever da Igreja cooperar com a sociedade para a construção do bem comum”.

Partindo do momento de crise na atual conjuntura social e política brasileira, a nota fala em assegurar a governabilidade do país, o que implica, segundo o texto, o adequado funcionamento dos três poderes, recuperar o crescimento sustentável, diminuir as desigualdades, exigir profundas transformações na saúde e na educação, ampliar a infraestrutura e cuidar das populações mais vulneráveis.

O texto fala, ainda, que é necessário aprofundar as conquistas sociais e, aos membros dos poderes, recusar “terminantemente” os mecanismos políticos que, “disfarçados de solução, aprofundam a exclusão social e alimentam a violência”.

O texto, que pode ser acesso na íntegra aqui, ressalta a busca pelo diálogo “entre todos os segmentos que legitimamente representam a sociedade”, de modo que condicionem “a superação dos discursos de ódio, vingança, punição e rotulação seletivas que geram um clima de permanente animosidade e conflito entre cidadãos e grupos sociais” e a atuação dos órgãos de combate à corrupção. “A contraposição eficaz à corrupção e à sua impunidade exige, antes de mais nada, que o Estado cumpra com rigor e imparcialidade a sua função de punir igualmente tanto os corruptos como os corruptores, de acordo com os ditames da lei e as exigências de justiça”, afirma a nota.
Conselho Permanente

Participaram da reunião do Conselho Permanente a presidência da CNBB, os presidentes das doze Comissões Episcopais Pastorais e os representantes dos Conselhos Episcopais Regionais.