Porto Alegre, 18 de Dezembro de 2018

A Leitura Orante da Bíblia

A leitura orante da Bíblia consiste em deixar que a “Palavra se espalhe como orvalho”(Dt 32,2) em nosso coração. É acolher a Palavra e deixar-se conduzir por ela. No entanto, precisamos estabelecer sete critérios ou atitudes para se fazer a Leitura Orante da Bíblia (LOB). “Reforçando isso, se adquire um grande amor para com a Palavra de Deus e se descobrem os seus tesouros” .

Sete critérios: o caminho da Lectio Divina.
    Para lermos a Escritura é preciso levarmos em conta a realidade concreta. A LOB  deve começar e terminar na realidade. Isto evita uma leitura espiritualista e desencarnada da vida. Devemos olhar a realidade com os “óculos” de Jesus, isto é, termos os mesmos sentimentos dele (Fl 2,5). Já mergulhados na Palavra de Deus, podemos fazer uma experiência com o Deus da vida que é força libertadora de qualquer forma que a oprime. Para tal, temos que ter presente as teologias centrais que perpassam toda a vida: a teologia do Êxodo (liberdade); da Aliança (amor); da Criação (Deus cria a vida); da Encarnação (a Palavra se fez carne), procurando fazer uma leitura profética e, deixando-nos guiar pelo Espírito a fim de defendermos e promovermos a vida.

Os quatro degraus da Lectio Divina


    A “lectio divina” é a transmissão da fé. A Bíblia nasceu no contexto conflituoso do povo de Deus e da vontade do povo em não perder a sua memória. Os primeiros cristãos sentiram a mesma necessidade. Os evangelhos foram escritos para não se perder a memória.
O fruto da leitura orante dos fatos tornaram-se textos. Por isso, fazer leitura orante significa buscar na Bíblia os caminhos de Deus nos caminhos humanos. Portanto, a Lectio Divina teve sua origem na própria Bíblia, mas só no século XII foi sistematizada por um monge cartuxo, chamado Guigo, a partir de um sonho que ele teve, onde via quatro degraus que ligavam o céu com a terra. Estes degraus eram a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. Vamos ver cada um desses degraus. A leitura é como visitar um amigo. É preciso ter muita atenção, respeito, amizade. Uma atitude de entrega, de silêncio, como discípulo (Is 50,4). É entrar em contato com o texto preparando-nos para o próximo degrau. A meditação é ruminar o que se leu. É deixar a Palavra entrar em nós comparando o passado com o presente. Deus falou no passado e fala para nós hoje. O importante aqui é aprofundar as experiências pessoais. A oração consiste em suplicar, louvar, recitar. É perguntar o que o texto me faz dizer a Deus. Por fim, a contemplação. É ver a vida com um olhar diferente. É mostrar pela vida que o amor de Deus se revela no amor ao próximo (1Jo 4,8.20).
    Contudo, precisamos deixar claro que esses “quatro degraus” não são técnicas de leitura, mas etapas do processo de assimilação da Palavra de Deus na vida através da leitura orante.
Frei Lucas Elias, OCD.