Porto Alegre, 22 de Julho de 2018

Oficio das Leituras da Festa de Todos os Santos Carmelitas

Todos nós, que trazemos este sagrado hábito do Carmo, somos chamados à oração e contemplação. Foi esta a nossa origem. Descendemos da linhagem daqueles nossos santos padres do Monte Carmelo que, em tão grande solidão e com tal desprezo do mundo, buscavam este tesouro, esta pérola preciosa de que falamos.

Recordemo-nos de nossos santos padres, daqueles antigos eremitas, cuja vida pretendemos imitar! Tenhamos presentes os nossos verdadeiros fundadores, aqueles santos padres dos quais descendemos. Bem sabemos como, por aquele caminho de pobreza e humildade, gozam de Deus.

Ouço algumas vezes dizer que nos princípios das Ordens religiosas fazia o Senhor maiores graças àqueles santos, nossos antepassados, porque eram as pedras fundamentais. E assim é. Mas sempre nos havíamos de considerar alicerce dos que vierem depois. Porque, se agora nós os que vivemos, não tivéssemos perdido o fervor dos nossos antepassados e se os que viessem após nós fizessem outro tanto, sempre estaria firme o edifício.

Que me aproveita, a mim, que os santos antigos tenham sido tais, se depois sou tão ruim que com meus maus costumes, deixo estragos no edifício? Porque, é claro: os que vão chegando não se recordam tanto dos que há muitos anos morreram como dos que estão vendo. É engraçado que eu atribua o mal ao fato de não ser das primeiras e não veja a diferença que há entre a minha vida e virtude e as daqueles santos a quem Deus fazia tantas mercês!

Se alguma vir que, no mínimo ponto, vai decaindo a Ordem, procure ser pedra tal que, por seu meio, se torne a levantar o edifício; e o Senhor ajudá-la-á para isto.

Por amor de Nosso Senhor lhes peço: lembrem-se quão depressa tudo se acaba, e da mercê que Nosso Senhor nos fez trazendo-nos a esta Ordem e das grandes penas que terá quem nela introduzir algum relaxamento. Mas que ponhamos sempre os olhos na casta de onde vimos, naqueles santos profetas. Quanto santos temos no céu que trouxeram este hábito! Tenhamos a santa presunção, com a ajuda de Deus, de ser como eles. Pouco durará a batalha e o fim será eterno.