Porto Alegre, 22 de Julho de 2018

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma, para fixar-me em vós, imóvel e calma, como se minha alma estivesse já na eternidade, que nada possa perturbar-me a paz, nem me fazer sair de vós, ó meu imutável, mas que cada instante me leve mais avante na profundidade de vosso mistério!

Apaziguai-me a alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida, o lugar de vosso repouso, que jamais aí vos deixe só, mas que esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, completamente entregue a vossa ação criadora.

Ó Cristo, meu amado crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor. Sinto, porém, a minha fraqueza e peço-vos me revestir de vós mesmo, identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me em vós, invadir-me, substituir-vos a mim para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa. Vinde a mim como adorador, como reparador, como salvador.

Ó Verbo eterno, palavra de meu Deus, quero passar a vida a ouvir-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo apreender de vós; e depois, através de todas as trevas, todos os vácuos, todas as fraquezas, quero fitar-vos sempre e ficar sob a vossa grande luz. Ó meu astro Amado, fascinai-me para que não me seja mais possível sair de vosso clarão radioso.

Ó fogo consumidor, Espírito de amor, vinde a mim, para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo, que eu seja para ele um acréscimo de humanidade na qual renove todo o seu mistério, e vós, ó Pai, inclinai-vos bondosamente sobre a vossa pobre criatura, só considerando nela o Muito Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meus “Três”, meu tudo, minha beatitude, solidão infinita, imensidade onde me perco, entrego-me a vós como uma presa, sepultai-vos em mim, para que eu me sepulte em vós, enquanto espero ir contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.”