Porto Alegre, 21 de Julho de 2019

Sua vida se apagando

As tensões no Governo Geral pressagiaram novos rumos na Vida de Frei João. Em Junho de 1591, realizou-se o Capítulo Geral, em Madrid. Ele se mostrou um defensor enérgico das Monjas Carmelitas e do Padre Gracián, contra os procedimentos absurdos do Padre Nicolas Dória, por que, sobretudo, via naquele procedimento uma revanche e uma injustiça. Mas, possuindo uma minoria de amigos sinceros, pagou caro por sua audácia: todos os membros do Conselho foram reeleitos, menos ele. No seu lugar entrou justamente o Padre Diego Evangelista, sacerdote jovem e rancoroso, que durante o Capítulo, começou sua campanha de agressividade, de calúnias e de difamação, contra o Santo.

Assim, terminado o Capítulo ele se retirou para o deserto, onde está o Mosteiro de Jaén, enquanto aguardava a nomeação para outra missão. É nomeado Provincial do México, para onde devia viajar com um grupo de 12 religiosos.

Entretanto, um pequeno mal-estar provocou a transferência de sua ida para o México. No dia 22 de Setembro de 1591, de Jaén viajou para o Mosteiro de Ubeda, para se tratar de uma febre constante, que estava lhe causando um sério incomodo há oito dias. A Comunidade de Baeza insistiu para que ele fosse a Baeza e não Ubeda, para se tratar no meio das pessoas que o amavam. Mas ele não quis, preferiu Ubeda, embora o Prior do Mosteiro fosse aquele Padre rancoroso do Capitulo em Madrid, Padre Diego Evangelista, que havia lhe atacado com calúnias e difamações.

E assim, desde o primeiro dia, o Prior Diego o obrigou a assistir todos os atos da Comunidade, mesmo estando com febre altíssima e arrastando de uma perna, por conta de uma infecção. E nas oportunidades, Padre Diego lançava-lhe no rosto as despesas, que ele Frei João lhe estava dando! Proibiu que ele recebesse visitas e que ganhasse presentes, e muitas outras coisas.

Agrava-se a doença de João. A febre permanecia alta e uma profunda ferida aberta em sua perna direita, não é curada e apresenta várias erupções. Tiveram que serrar os seus ossos a frio, sem anestesia. As chagas se estendem pelas costas, não se pode tocá-lo. Ele passava o tempo rezando, em silêncio, ou em algumas ocasiões, conversava com H. Bernardo o seu enfermeiro, que se revelou seu amigo.

Dois dias antes de morrer, mandou chamar o Prior Diego e carinhosamente pediu-lhe perdão pelos incômodos e pelas despesas, e também lhe pediu, que por caridade, ele lhe concedesse o hábito que usava, para ser enterrado com ele. O Prior compreendeu tudo e chorou emocionado... Renascia naquele momento o afeto e a comunhão entre aquelas duas almas cristãs. A doçura que João sempre buscou no Amor de DEUS, derramava-se ali torrencialmente e inundou a alma do Prior. Já em agonia, João manifestou o desejo de que não lessem perto dele, outra coisa senão palavras de amor e de vida. E pediu: Leiam-me o “Cântico dos Cânticos da Sagrada Escritura”, completou Frei João: “Que pérolas preciosas eles são”!

Já passavam da meia-noite, do dia 13 para o dia 14 de Dezembro de 1591, quando se ouviu o sino das Matinas soar e ele disse as suas últimas palavras: “Gloria a DEUS, irei cantá-las no Céu”. E fechou os olhos.

Depois de sua morte, seu corpo foi sepultado e se iniciaram as disputas entre Úbeda e Segovia, pela posse de seus restos mortais. Em 1593, estes restos, mutilados, foram transladados clandestinamente a Segovia, donde repousam atualmente. O processo de Beatificação e de Canonização se iniciou em 1627 e finalizou em 1630. Foi Beatificado em 1675, pelo Papa Clemente X e foi Canonizado em 1726, pelo Papa Benedito XIII. Posteriormente, no dia 24 de Agosto de 1926, o Papa Pio XI o proclamou Doutor da Igreja Universal.

Fonte: apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com