Porto Alegre, 11 de Dezembro de 2019

Depois do Cárcere

Dirigiu-se em direção ao sul, até a Andaluzia, longe de seus inimigos, mas também distante de seus amigos. Sentiu-se estranho entre os religiosos, porque não era conhecido e também não conhecia ninguém. Mesmo assim, os 10 anos que lá passou foram os mais fecundos e ativos da sua existência, anos quase agitados, por que envolveu construção e administração, serviço pastoral e direção espiritual, viagens e redação de seus escritos.

O seu primeiro destino foi “O Calvário” (Jaén), um Convento solitário entre Ubeda e Beas. Está situado no vale onde nasce o Rio Guadalquivir. Lá, João permaneceu sempre ocupado com a oração ou trabalhos manuais. Gozando a liberdade, revivia o cárcere transfigurado e escreveu o poema da “Noite Escura”. Mesmo sendo o Superior do Convento, sobrou-lhe tempo para dar assistência as Carmelitas de Beas, de confessar-lhes e dar-lhes toda a ajuda espiritual.

Realizou pessoalmente a “Fundação de Religiosos” em Baeza, que foi inaugurada na Festa da Santíssima Trindade do ano 1579, e tornou-se o Superior da mesma. Floresceu na cidade os estudos universitários e os movimentos espirituais. Os Carmelitas fundaram um Colégio de Teologia e sendo Frei João o Reitor, ele se encarregava de tudo: da direção da Comunidade, formação dos estudantes, confissões na Igreja pela manhã e a tarde, direção espiritual das Monjas e outros. Quando sobrava algum tempo, ia para o Hospital dar assistência aos enfermos. Finalmente em 1580 o Carmelo Descalço voltou a assumir as suas funções na Província e no ano de 1588 foi reconhecido como Ordem Religiosa.

Granada é a última e mais longa permanência do Santo em Andaluzia. Chegou à cidade em Janeiro de 1582, como Prior do Convento dos Mártires. Construiu um aqueduto para conduzir a água até a horta do Convento e empreendeu a construção de um claustro quadrado, em arcada, que provocou a admiração de todos. Depois como Provincial, durante dois anos fez diversas viagens a Sevilha, Caravaca, Beas, Madrid, Málaga e Córdoba, dando assistência e impulsionando a Ordem Carmelita. Também foi a Lisboa para uma Assembléia Capitular. Dá assistência espiritual e material as Carmelitas Descalças de Granada, a quem ele mesmo acompanhou e ajudou na fundação do Convento. Comunicava-se com frequência com Madre Ana de Jesus e a Senhora Ana de Peñalosa, as quais, respectivamente, ele dedicou os comentários do “Cântico” e de “A Chama”.

Entre as tarefas de administração, construção, direção espiritual e viagens, ainda lhe sobravam tempo para redigir seus livros. Granada é seu escritório e onde realizou o momento culminante de sua criação literária. Ali redigiu totalmente ou concluiu a redação de suas quatro grandes obras: “Subida do Monte Carmelo”,“Noite Escura”“Cântico Espiritual” e “Chama de Amor Viva”. Com a idade de 40 a 44 anos, está na plenitude da sua disposição e inspiração, trabalhando com toda força e dedicação.

Fonte: apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com