Porto Alegre, 11 de Dezembro de 2019

Duruelo: primeira comunidade dos Carmelitas

O lugar escolhido para começarem a elaborar os planos e as normas para a Reforma, foi o lugarejo de Duruelo, onde existia um grupinho de casas entre pinherais, não longe de Fontiveros. Inauguraram os trabalhos no primeiro domingo do Advento, e mais precisamente no dia 28 de Novembro de 1568. E o tema central a ser discutido e aperfeiçoado era o espírito da Reforma: determinando ritmo intenso de oração, austeridade de vida, estilo de fraternidade e recreação, e também, moderada atividade pastoral. Trataram ainda de assuntos materiais: a casa, o hábito, os horários a serem observados, e o sustento de todos. E fundaram em Duruelo o primeiro Convento Carmelita Descalço para homens.

A Comunidade dos “Carmelitas Descalços” foi formada por Madre Teresa, Frei João e dois outros religiosos vindos também do antigo Carmelo: Padre Antonio de Jesus e Frei José de Cristo. Ao renovar a Profissão de Fé, Frei João de São Matias decidiu adotar o nome de “Frei João da Cruz”.

A vida em Duruelo corresponde ao projeto que elaboraram, firme, decidida e atenciosa, ultrapassando ligeiramente as previsões de Madre Teresa, em matéria de Oração e Penitência. Fizeram também um pacto de silêncio, pelo qual se comprometeram a não falar da experiência de Duruelo a ninguém (das graças recebidas, serviços prestados, sacrifícios), nem para os contemporâneos e nem para a posteridade.

Desde o início ficou bem definida a missão de João: ser o mestre dos noviços, formador espiritual e mistagogo (iniciador dos neófitos nos Mistérios) do Carmelo teresiano. Dos dez anos que se dedicou ao trabalho, cinco anos aplicou na formação dos Carmelitas Descalços e outros cinco anos na formação das Monjas Carmelitas. Depois organizou o Noviciado de Pastrana. Em Abril 1571 foi nomeado Reitor do primeiro Colégio da Reforma, em Alcalá de Henares. A convite de Madre Teresa, em Maio de 1572 mudou-se para Ávila, como Vigário e Confessor das Monjas do Mosteiro da Encarnação, nome escolhido por Santa Teresa D’Ávila, que era a Priora desde o ano anterior. Nesta ocasião ele completou 30 anos de idade.

É também nesta oportunidade que o convívio entre os dois chefes reformadores (João e Teresa) se tornou mais profundo e contínuo. Um mesmo projeto de vida e de vocação, de amizade e de serviço, unindo estes dois mestres da mística cristã: tão semelhantes e tão complementares.

Durante este período, no seio da Ordem do Carmelo se agravaram os conflitos jurisdicionais entre os Carmelitas Calçados e os Carmelitas Descalços, devido aos distintos enfoques espirituais referentes a Reforma. Por outro lado, além das divergências dentro da Comunidade Religiosa, avultava também a confrontação entre o poder da Realeza e o poder Pontifício, com a intenção de dominar o setor das Ordens Religiosas. Assim, em 1575, o Capítulo Geral dos Carmelitas decidiu enviar um visitador da Ordem para suprimir os Conventos fundados sem licença do Comando Geral da Ordem, ou seja, os Conventos fundados pelos "Reformadores",  e de colocar reclusa num Convento, Madre Teresa de Jesus.

Fonte: apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com