Porto Alegre, 21 de Julho de 2019

Caminho da Vocação

No ano de 1567 ele cursava o terceiro ano na Universidade, quando o desacerto vocacional alcançou um grau mais elevado em seu espírito. Nesta época ele vivia no Convento de Salamanca e duas grandes personalidades cruzaram a sua vida: Padre João Batista Rubeo, que era o Geral da Ordem Carmelita e a Madre Teresa de Jesus (Santa Teresa D’Ávila). No mês de Fevereiro Padre Rubeo foi visitá-lo. O Geral era um homem de grande espírito, que realizava reformas e corrigia abusos com decisão e suavidade. Frei João observou suas palavras, escutou os seus argumentos, confrontou mentalmente os fatos e as promessas. Ao terminar a visita, fez um consciente balanço interior, e sentiu que o programa não lhe parecia atraente, nem lhe oferecia garantias de revigoramento contemplativo. E por isso, continuou com o mesmo descontentamento e com o mesmo desejo de ir para a Cartuxa.

Em Setembro ou Outubro do mesmo ano, encontrou-se casualmente com Santa Teresa D’Ávila (Madre Teresa de Jesus), em Medina. Frei João ficou muito impressionado com o entusiasmo e o notável projeto de vida apresentado por ela. Teresa tinha 52 anos de idade e bastante experiência no ambiente cristão, que a transformou numa pessoa aberta e decidida, nas realizações e iniciativas. Frei João tinha apenas 25 anos de idade, estava recém ordenado sacerdote, era tímido e inexperiente. Por seu lado, Madre Teresa lhe ofereceu um novo caminho, um projeto de vida comprovado e sugestivo, e comprometeu-se a lhe proporcionar todos os meios para ele alcançar os seus objetivos. Mas exigiu em troca, muita espiritualidade, compromisso firme e uma ampla capacidade de sacrifício. Frei João vibrou com uma imensa alegria interior, pois estava disposto a tudo, já era experimentado na oração e na penitência, na ciência e na bondade. Por isso, assumiu todas as implicações e incômodos de um começo, e fraternalmente impôs a Madre apenas uma condição: “a de que este projeto não demorasse muito”.

Na verdade, o projeto de Madre Teresa era fazer a Reforma do Carmelo, e com este objetivo, convidou Frei João com suas reconhecidas qualidades espirituais a participar. Ela queria a Ordem mais contemplativa, mais dedicada às orações e ao estudo bíblico, ao exercício das penitências mais severas, dilatando as possibilidades, para que o espírito fosse mais cultivado e acionado numa intensa e fervorosa busca de DEUS. Assim, com o pacto estabelecido, os dois começaram a Reforma do Carmelo entre os religiosos.

Fonte: apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com