Porto Alegre, 11 de Dezembro de 2019

Vicissitudes no encontro com Cristo

E assim passou algum tempo, até que, por sentir-se imperfeita, começou a deixar esta particular amizade, julgando equivocadamente que era mais humildade (Vida 7,1). Parecia-lhe que não era digna desse encontro tão belo. A relação arrefeceu um pouco e Teresa caiu nalgumas imperfeições. Intentou reconstruir a amizade, mas ao não conseguir despojar-se desses obstáculos, os encontros com o amigo resultavam um tormento. Sentia-se como mulher infiel ao esposo, ainda que as suas “ingratidões” eram bem pequenas. Intentava ser fiel, fazia grandes esforços até que um dia se deu conta de que neste processo de reabilitação confiava demasiado em si mesma e não se punha totalmente nas mãos do seu Senhor (Vida 8,11-12).

E um dia, diante de uma imagem de um Cristo, marcado pelas chagas dos açoites da paixão (Vida 9), deposita totalmente a sua confiança n’Ele, e sente que o Senhor a reabilita por dentro. A leitura das Confissões de Santo Agostinho foi-apreparando. E desde então começa a ser toda d’Ele. Cada vez que se põe a fazer oração, representando-se a Cristo, sente-se cheia de Deus. Esta percepção será o primeiro efeito da vinda de Jesus a ela (Vida 10,1). Ao refletir sobre isto, julgava que até este momento era ela quem buscava a Cristo, agora é Ele quem busca a Teresa (Vida 23,1ss).

Secundino Castro Sánchez