Porto Alegre, 15 de Novembro de 2019

Vida

Teresa de Jesus viveu na Espanha do século XVI, concretamente em Castela, onde passou toda a sua vida, exceto os três anos da fundação de Sevilha. Toca-lhe uma época que ela qualifica de “tempos difíceis”, de câmbios profundos. O homem, e já não Deus, começa a ser a medida de todas as coisas, passa a ser o centro do mundo e toma consciência da sua interioridade.

Manifesta-se uma grande ânsia de reforma da vida cristã, entendida como experiência do Deus misterioso que se busca pelos caminhos da vida interior, e que se fez rosto e palavra humana, (livro vivo, em expressão da Madre Teresa) em Jesus Cristo. Anela-se uma vida cristã liberta das mediações externas que a asfixiam, e a fé redescobre-se como acto de confiança radical no Deus encarnado, o Deus da misericórdia, que “não se espanta das fraquezas dos homens, que entende a nossa miserável compostura” (V 37, 6), como diz Santa Teresa, que falará da amizade com Deus através de Cristo.

No meio desse mundo, Teresa de Jesus afirma que Deus existe, que ela o experimentou e que é um Deus vivo que transformou a sua vida. Mesmo que, por uma parte, transcende as nossas ideias e conceitos, por outra é um Deus próximo, entranhável, que quis fazer do nosso interior morada, casa e lar; um Deus com quem se pode dialogar, e esse diálogo é a oração.

Nesse tempo não é fácil ser mulher, espiritual e leitora. E Teresa era tudo isso. Ela reclama a presença activa da mulher na Igreja pedindo o direito à vida espiritual. Por outra parte, Teresa assiste à ruptura dolorosa da unidade da Igreja; e apesar de não ter sido compreendida por muitos eclesiásticos do tempo, pôde exclamar: ao fim, Senhor, sou filha da Igreja”.

Luis Javier Fernández Fronte