Porto Alegre, 14 de Dezembro de 2017

A doutrina da Cruz

Para tanto não há outro caminho, pois, segundo o plano divino da salvação, Cristo houve por "remir a alma e desposá-la consigo, servindo-se dos próprios meios que haviam causado a ruína e a corrupção da natureza humana; pois, assim como por meio da árvore proibida no paraíso, foi essa natureza estragada e perdida por Adão, assim na árvore da cruz foi remida e reparada." (S. João da Cruz, Cântico Espiritual, Explicação da Canção XXIII) Se quiser partilhar com ele da vida, com ele deverá passar pela morte de cruz, e deverá como Cristo crucificar a sua própria natureza por uma vida de mortificação e renúncia, entregando-se à crucifixão pelos sofrimentos e pela morte, conforme Deus determinar e permitir. Quanto mais perfeita for a crucifixão ativa e passiva, tanto mais íntima será a união com o crucificado, e tanto maior será a participação na vida divina."
Edith Stein, A Ciência da Cruz, Cap. I.

Gratidão pelo dom da Fé

Mesmo que as pessoas não me tivessem feito o bem, isso não poderia, jamais, confundir-me na Igreja. Não entrei nela para ter vantagens, ou porque pessoas tenham me atraído para lá, mas porque sua doutrina e a fé nos seus sacramentos mostraram-se irrefutáveis. E em onze anos experimentei suas bênçãos de modo tão fecundo, que nada jamais me poderá separar dela. E se não houvesse nenhum outro ser humano neste mundo que desse testemunho com sua vida do que pode fazer uma pessoa de fé viva, eu me sentiria comprometida a fazê-lo. Todavia, há um número suficiente de outras pessoas, e eu não deixo de nutrir a esperança de que um dia você irá encontrar-se com um deles".

Edith Stein, Carta a Werner Gordon, de 04/08/1933